Parceria Argentina–Brasil avança no desenvolvimento de baterias de lítio mais seguras

A Universidade Nacional de Tucumán (UNT), na Argentina, está protagonizando um importante avanço na pesquisa de baterias de lítio mais seguras e eficientes, em cooperação com instituições brasileiras, incluindo projetos coordenados pelo professor Yurimiler Leyet Ruiz, do Laboratório de Pesquisa em Materiais (LPMAT) da Universidade Federal do Amazonas.
A iniciativa, que se insere na transição energética global, busca superar limitações das baterias convencionais de íon-lítio — como riscos de superaquecimento e acidentes — por meio do desenvolvimento de baterias de estado sólido, onde o tradicional eletrólito líquido inflamável é substituído por materiais sólidos mais estáveis e seguros.
Inovação em baterias de estado sólido
As baterias de estado sólido representam uma das fronteiras tecnológicas mais promissoras no campo do armazenamento de energia. Ao eliminar o eletrólito líquido e adotar materiais sólidos especiais, aumenta-se significativamente a estabilidade térmica e a segurança, reduzindo o risco de incêndios e possibilitando maior autonomia em aplicações que vão de dispositivos portáteis a veículos elétricos.
Essa frente de pesquisa tem ganhado destaque no mundo todo, com esforços de universidades e empresas buscando resolver desafios fundamentais — como o crescimento de dendritos em baterias de lítio metálico — que podem limitar a vida útil e a segurança desses sistemas.
Cooperação acadêmica regional
A colaboração entre universidades começou em 2022 e já consolidou um intercâmbio de pesquisadores e formação de pós-doutorandos. Neste ano, o professor Yurimiler Leyet Ruiz, coordenador do LPMAT / Universidade Federal do Amazonas, visitou a UNT para fortalecer as linhas conjuntas de pesquisa e participar do lançamento de um laboratório dedicado à produção de baterias de estado sólido.
O professor Yurimiler destacou a importância desse momento: “Estamos em um ponto muito importante. Nossa colaboração nos permitiu trabalhar com outros grupos da região e este ano inauguramos o laboratório para produzir baterias de estado sólido. Nossa expectativa é que até o fim do ano tenhamos os primeiros dispositivos testados e possamos mostrar resultados concretos” — sublinhando a meta de traduzir pesquisa em tecnologia aplicada ainda neste ciclo.
Uma visão estratégica para a região
O projeto vai além da Argentina e Brasil, incluindo participação da Universidade Nacional de Jujuy e do Centro de Investigação e Desenvolvimento em Materiais Avançados e Armazenamento de Energia (CIDMEJu), que trabalha na otimização de processos de extração e no melhoramento da qualidade do lítio — um passo essencial para garantir o desempenho final das baterias.
Segundo a Secretaria de Ciência, Arte e Inovação Tecnológica da UNT, a iniciativa tem dimensão estratégica para a região sul-americana: não apenas impulsionar a pesquisa científica, mas também aumentar o valor agregado dos recursos naturais, posicionando a região como desenvolvedora de tecnologia e não apenas como fornecedora de matéria-prima.
Perspectivas futuras
A parceria pretende ampliar suas fronteiras colaborativas, com possíveis vínculos com instituições no Chile e na Bolívia — outros países com forte presença na cadeia produtiva de lítio. A expectativa é que, ao integrar esforços regionais de pesquisa e desenvolvimento, se fortaleça uma cadeia completa de inovação em baterias avançadas, desde a extração até a aplicação final em sistemas de energia e mobilidade sustentável.
Acesse a matéria da UNT aqui.
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